Por que eu ainda sou mais?

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Ontem eu fui dormir chorando. Dormi com uma puta dor de cabeça, aliás. Ontem, sem motivo algum a realidade nem bateu na minha porta, ela arrebentou tudo, invadiu a minha privacidade, deu dois tapas na minha cara e disse “querida, cheguei”.

Ontem fui dormir chorando, chorei pela bagunça que a minha vida está, me perguntando quando foi que eu deixei tudo desmoronar? Sempre quis ter a vida que tenho, faculdade, liberdade, morar sozinha, ter planos para o meu futuro adulto e não precisar dizer que horas vou chegar em casa. Mas agora, chorando, percebi que essa não era a vida que eu quis para mim. Agora eu percebi que existia uma terceira opção que eu ignorei por ser a mais difícil, mas que hoje, é a que eu realmente queria para mim.

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Me perguntei o que meus amigos de alguns anos trás estavam fazendo, se eles ao menos lembravam de mim. Me perguntei por que os novos amigos ainda estavam aqui? Pois é costumeiro eles entrarem e saírem e eu continuar aqui, sem conseguir entender a parte que eles entraram. Eu geralmente dou desculpas para tudo o que eu sinto ou faço, arranjo alguma mentira para mim mesma para me aceitar daquela forma.

Eu sou o tipo de pessoa que vê o lado bom de qualquer um. Que ouve os seus problemas e que tenta te ajudar a resolvê-los. Sou o tipo de pessoa que gosta de dar presentes, de escolher o melhor, independente do preço e independente do quanto você é para mim. Gosto de embrulha-los em papeis de presente bonitos e esperar a sua reação como se o presente fosse para mim. Porque eu simplesmente gosto de fazer as pessoas felizes.

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Sou o tipo que prefere animais do que pessoas. O tipo que aprendeu que não se pode dar nada pensando que precisa de algo em troca. Porém, me pergunto por que me doou tanto as pessoas sabendo que literalmente não tenho nada em troca? Eu sou muito amiga, muito conselheira, muito companheira, muito ombro amigo… muito MUITO! Enquanto não existe ninguém muito por mim. Preciso ser menos.

Não gosto de culpar ninguem, mas gostaria de ser menos rancorosa, por exemplo. Sofri problemas de confiança na minha infância. Sempre fui a menina que todos gostavam de zoar, não é algo dramático, foi a minha realidade! Minhas amigas se diziam ser minhas amigas, mas na verdade elas não eram, elas riam de mim escondido, provável dizendo o quanto eu era idiota em confiar nelas. E agora me pergunto: Por que até hoje não consigo me livrar disso? Isso foi um fato, fizeram realmente comigo, lembro do nome e do rosto de cada uma delas.  E por causa desse motivo especifico, nunca consigo acreditar (ou talvez aceitar) que meus amigos me amem. Eu sempre acho que em algum momento eles simplesmente vão embora, esquecendo tudo aquilo que um dia existiu. Me pergunto se esse é o trauma que fez com que eu tivesse problemas com confiança. Talvez sim, talvez não.

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Tive problemas com meu pai também, não éramos amigos, vivíamos brigando. Eu odiava o jeito que ele tratava a gente e a forma que ele nos obrigava a viver. Tinha que ser do jeito dele, ou, discutíamos. Nunca senti que eu era boa o suficiente para ele, minha irmã era, eu não. Nunca a culpei por isso, porque nunca foi a culpa dela. Mas meu pai sempre deixou claro de um modo subjetivo de que ela era melhor, e mesmo quando eu conseguia ser melhor, eu tinha que ser mais. Ou seja, até hoje acho que nunca sou boa o suficiente, sempre preciso ser melhor.

Nunca falei isso para ele e espero que ele não se sinta mal, porque quando ele saiu de casa e tudo pareceu desmoronar nas minhas costas, senti falta dele, dormi chorando ouvindo minha mãe dizer: “ele precisou ir embora para você perceber que, apesar de tudo, você amava ele?”. Mais um trauma, talvez. Confiança.

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Eu tenho coleções de traumas, nenhum que tenha deixado cicatrizes físicas, mas todos me deixaram assim, sem saber o que fazer, ficar com a cabeça fervendo de tanto pensar “é confiança, ou a falta de?”

Não tenho uma melhor amiga, pois nenhuma delas me tem como tal, apesar de ser rodeadas de pessoas que sei que posso contar com a minha vida. Não tenho melhor amigo, tenho um namorado que me ouve e que sabe absolutamente tudo sobre mim (menos o tamanho certo das minhas roupas, ele sempre me dá o tamanho o errado de presente). Então me pergunto: por que diachos tenho problemas em me abrir com pessoas? Porque não consigo simplesmente abrir a boca e dizer aquilo que está entalado na garganta? É confiança? É trauma? É o que meu Deus???

Porque cargas d’água é mais estar aqui a uma e meia da manhã escrevendo um texto, do que acordar meu namorado e dizer para ele o que eu estou sentindo? Porque apesar de ser rodeada de pessoas que querem o meu bem eu ainda me sinta sozinha as vezes? Por que faço isso comigo mesma?  Talvez me achem idiota, ou me chamem de ingrata, mas eu ainda vou continuar a me perguntar (sem saber se um dia haverá resposta):

“Porque eu ainda sou mais?”

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